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Desconstruindo o "descobrimento" do Brasil

Para os historiadores, já é debate finalizado mas ainda há muita difusão fora do mundo universitário sobre a tese do descobrimento do Brasil. Todavia, se o aluno cair nesse discurso já vencido, pode errar uma questão no ENEM ou Vestibular. Então, ficam aqui alguns esclarecimentos:

  • Portugal foi um dos primeiros países a conquistar a centralização política - em 1385, com a dinastia de Avis - o que permitiu ao país investir em conhecimento. Um país voltado para o oceano, precisa conhecer bem esse mar, para isso tinha a Escola de Sagres. Pedro Álvares Cabral e toda a sua experiente tripulação não pode ter acidentalmente se desviado da trajetória prevista. É uma hipótese quase infantil.

  • Em 1493, o Papa Alexandre VI propôs a bula "Inter Coetera" indicando os domínios de Portugal e Espanha. A linha imaginária passaria a 100 léguas de Cabo Verde. Se Portugal não tivesse ideia da existência do Brasil não teria feito um novo tratado no ano seguinte, estendendo mais a linha. Em 1494, Dom João II firmou com os reis espanhóis (Fernando e Isabel) o Tratado de Tordesilhas, passando a 370 léguas de Cabo Verde e, assim, garantindo o domínio do litoral brasileiro.

  • A Carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei português logo após a chegada ao Brasil em 1500, não demonstra surpresas em relação às terras encontradas, como se delas nunca tivessem qualquer notícia.
  • Mapas portugueses do século XI já indicavam a presença de terras do outro lado do Atlântico, inclusive já intituladas de "Brasil".
Então, o Brasil não foi descoberto mas sim apropriado num momento em que a Europa estava em plena expansão e Portugal necessitava investir em novas terras em busca de matérias-primas.

Comentários

  1. Show, cara! Só uma correção: são 100 e 370 léguas, e não metros! Convertendo pra km dá aproximadamente 660 e 2500 quilômetros, respectivamente.

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  2. Valeu a dica, Pedro! Vou corrigir! Abraço

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