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Mostrando postagens de setembro, 2011

Desconstruindo o "descobrimento" do Brasil

Para os historiadores, já é debate finalizado mas ainda há muita difusão fora do mundo universitário sobre a tese do descobrimento do Brasil. Todavia, se o aluno cair nesse discurso já vencido, pode errar uma questão no ENEM ou Vestibular. Então, ficam aqui alguns esclarecimentos: Portugal foi um dos primeiros países a conquistar a centralização política - em 1385, com a dinastia de Avis - o que permitiu ao país investir em conhecimento. Um país voltado para o oceano, precisa conhecer bem esse mar, para isso tinha a Escola de Sagres. Pedro Álvares Cabral e toda a sua experiente tripulação não pode ter acidentalmente se desviado da trajetória prevista. É uma hipótese quase infantil. Em 1493, o Papa Alexandre VI propôs a bula "Inter Coetera" indicando os domínios de Portugal e Espanha. A linha imaginária passaria a 100 léguas de Cabo Verde. Se Portugal não tivesse ideia da existência do Brasil não teria feito um novo tratado no ano seguinte, estendendo mais a lin

11/09/2001

Há exatos 10 anos, todos nós fomos "testemunhas da história" e vimos, diante de nossos olhos, imagens que mudariam os rumos da História. Para muitos historiadores, a história do século XXI começou no momento em que o primeiro avião atingiu uma das Torres Gêmeas do World Trade Center, na manhã de 11 de setembro de 2001. Sem dúvida alguma foi um evento marcante e, com o tema sendo tão explorado pela mídia nesses dias, vale a pena lembrar alguns dados mais relevantes - para isso, é essencial olhar as duas postagens anteriores. Vale lembrar que os EUA já haviam participado da 1ª e da 2ª Guerra Mundiais e da Guerra Fria, além de outros conflitos menores mas nunca sentiu-se ameaçada dentro de seu próprio território. Alguém pode se perguntar: mas o ataque japonês a Pearl Harbor foi um ataque aos EUA! E foi, mas não atingiu a área continental da superpotência, pois Pearl Harbor era uma base estadunidense que ficava na ilha de Oahu, no Havaí - fora, portanto, da "zona de confo

Um outro 11 de setembro

Há dez anos atrás, quando o World Trade Center e o Pentágono foras atingidos por aviões, porta-vozes do governo estadunidense apressavam-se em dizer que a liberdade e a democracia eram atingidas. Porém, esses "defensores da liberdade e da democracia" estiveram envolvidos, 28 anos antes, no bombardeio ao Palácio de La Moneda em Santiago, no Chile. Prédios foram destruídos, pessoas atingidas e a proposta de socialismo pela via pacífica massacrada com a derrubada do governo eleito, Salvador Allende. A década de 1960 foi de efervescência política no Chile. O socialista Salvador Allende já disputara a presidência em 1964 contra o democrata cristão Eduardo Frei - que, com apoio e financiamento estadunidenses, venceu a eleição. Após essa derrota eleitoral, Allende conseguiu formar uma grande coalisão de esquerda, a Unidad Popular. Os partidos chilenos estavam socialmente representados da seguinte forma: Partido Nacional - proprietários rurais e industriais; Partido Democrata Cristã

11 de Setembro - os antecedentes

A partir de hoje, comentarei sobre o evento que, segundo os historiadores, deu início ao século XXI: o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Para entendermos o fato, precisamos voltar no tempo algumas décadas para entender a relação estreita entre Osama Bin Laden e os EUA durante a Guerra Fria. Tema importantíssimo do século XX, a Guerra Fria marcou o período de embates entre as duas grandes potências da época: os EUA de um lado com o sistema capitalista e, do outro, a URSS com o sistema socialista. Os conflitos entre as potências nunca se deram de forma direta, mas por meio de diversos embates ocorridos em diversos países onde os dois sistemas digladiavam. O Afeganistão foi um desses países. Em 1979, um golpe militar havia levado ao poder grupos ligados à União Soviética no Afeganistão. O governo de Jimmy Carter queria reinstalar no país um governo aliado ao Ocidente e, para isso, passou a investir em grupos islâmicos que pudessem travar uma Guerra Santa contra o ateísmo sov

50 anos da Campanha da Legalidade - parte 7

Após duas semanas bem conturbadas politicamente, Jango finalmente assumiu o cargo a que tinha direito. Vice-presidente eleito - na época, a votação para presidente e vice era separada - Jango estava na China quando Jânio Quadros renunciou e, após tentativa de golpe, conseguiu apoio popular e político suficiente para tomar posse. Jango, avesso a atritos, aceitou a decisão do Congresso de assumir o governo sob o regime parlamentarista. Seu discurso de posse, de certa maneira, resumiu a turbulência dos dias anteriores: "(...) Subo ao poder ungido pela vontade popular, que me elegeu duas vezes Vice-Presidente da República, e que, agora, em impressionante manifestação de respeito pela legalidade e pela defesa das liberdades públicas uniu-se, através de todas as suas forças, para impedir que a sua decisão soberana fosse desrespeitada. (...) Não há razão para ser pessimista, diante de um povo que soube impor a sua vontade, vencendo todas as resistências para que não se

50 anos da Campanha da Legalidade - parte 6

O impasse estava perto do fim. Após quatro dias de negociações políticas em Porto Alegre, Jango chegava em Brasília há exatos 50 anos, no dia 05 de setembro de 1961. Mas o clima ainda era tenso. Jango sentiu-se forçado a aceitar tomar posse em regime parlamentarista para evitar maiores conflitos. Brizola, um dos maiores articuladores para a sua posse, era contrário a essa mudança de regime; mas a decisão de Jango falou mais alto. Sua viagem de Porto Alegre para Brasília precisou ter segurança reforçada pois havia ameaças de derrubada do avião presidencial. A previsão era partir às 11h30 rumo à capital federal, mas o anúncio de que Jango seria recebido c om disparos de metralhadora fez o vôo ser adiado e, só após reunião do presidente interino (Ranieri Mazzilli) com as Forças Armadas, houve resposta favorável à viagem: “As Forças Armadas asseguram as garantias necessárias do desembarque nesta capital, nesta data, do presidente João Goulart, a sua permanência em Brasí

50 anos da Campanha da Legalidade - parte 5

A solução do impasse em torno da posse de João Goulart, o Jango, deu-se somente há exatos 50 anos atrás, no dia 02 de setembro de 1961, quando o Congresso Nacional aprovou a emenda constitucional (nº 4) que mudou o sistema de governo presidencialista para o parlamentarista. Essa foi a solução encontrada para conciliar os ânimos. Com a emenda, Jango seria chefe de Estado mas não chefe de governo, o que faria dele uma figura decorativa (tipo a rainha da Inglaterra) e que quase nenhum poder de mando teria. O governador Leonel Brizola, que tanto havia lutado pela posse legal de Jango, foi contrário à mudança de regime e estava disposto a fazer o cunhado tomar posse pelas armas, se fosse necessário. Jango, porém, muito conciliador, não estava disposto a causar uma guerra civil. Em sua viagem da China de volta ao Brasil - que, de propósito, demorou muito mais do que o habitual para que os ânimos se acalmassem - desembarcou em Montevidéu e não diretamente em solo brasileir