Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Colônia

Correção do Vestibular UFRGS 2017 - Império ultramarino português

     E vamos à correção da questão nº 7 da Prova de História do Vestibular UFRGS 2017 ! Nesse ano, a UFRGS fez uma prova com um nível de exigência maior, cobrando do candidato informações mais precisas, detalhes e demonstrou o quanto quer um aluno cada vez mais qualificado na universidade. A questão nº 7 exigiu do aluno saber interpretar o que ele aprendeu na escola. Não trouxe uma questão só de "decoreba", mas exigiu atenção e interpretação.      Eis a questão:      Antes de mais nada, vamos ao básico. O que é Império nesse caso? Um extenso território geográfico não-contínuo (ou seja, esses territórios não estão todos "colados" um no outro, podendo estar distribuído por vários continentes) governado por um mesmo soberano. E o que seria ultramarino ? Que se estende para além do mar. No caso português, avançava o Oceano Atlântico atingindo as terras brasileiras. Também avançava o Oceano Pacífico e o Mar Mediterrâneo chegando à possessões ...

Correção do Vestibular UFRGS 2017 - Escravidão nas Américas

     Continuamos com a correção da Prova de História do Vestibular UFRGS 2017!  Agora, uma questão relativamente simples sobre a escravidão nas Américas  para quem tem uma noção básica do assunto e usou de sua astúcia para eliminar as alternativas erradas.      Eis a questão nº 6:       O pequeno texto apresentado na questão indica que a escravidão nas Américas está inserida no contexto do que Blackburn chama de " primeira globalização ", quando as grandes navegações permitiram aos europeus expandir seus impérios para além do território do Velho Mundo, ao atravessar o oceano e conquistar terras ainda não dominadas pelas potências europeias. Essa foi a primeira fase do Capitalismo, chamada de Capitalismo Comercial . Ela permitiu a formação do sistema capitalista com a expansão do comércio internacional. Além disso, o período foi caracterizado pela formação de colônias  tanto na América quanto na África, cujo objetivo ...

Escravidão Indígena e Africana no Rio Grande do Sul

       Os primeiros povoadores (vindos de Laguna) eram proprietários de índios administrados , um subterfúgio legal para disfarçar a situação de cativeiro dos nativos. Em 1758/59, a escravidão indígena foi formalmente proibida, mas continuou ocorrendo no século XIX até pelo menos a década de 1860, envolvendo interesses de fazendeiros, autoridades locais e até mesmo dos bugreiros , que utilizavam os índios em trabalhos nas suas plantações, estâncias e engenhos. Aliás, só pra provocar  o hábito gaúcho de tomar chimarrão vem dos indígenas. A palavra chimarrão, inclusive, tem origem na língua espanhola e está associado a xucro, bárbaro, bruto.      Embora fosse recorrente o uso da mão-de obra indígena no Rio Grande do Sul, já a partir do século XVIII houve predomínio da escravidão africana. Nos Campos de Viamão, em 1751, 42% da população era de escravos africanos e 3% de escravos indígenas. Esse percentual era semelhante ao das zonas miner...

A economia do Rio Grande do Sul colonial (séculos XVIII e XIX)

     A produção de trigo e a atividade pecuária inseriram economicamente o Rio Grande do Sul no mercado interno brasileiro, com estímulo da própria Coroa que visava integrar definitivamente a região no império ultramarino português.        A triticultura foi  atividade econômica que provocou o enriquecimento e a ascensão social de alguns açorianos (auge entre 1787 e 1813), inclusive com acesso à mão-de-obra africana. Embora já houvesse incentivo da Coroa para a produção de trigo em terras brasileiras, foi somente no solo gaúcho que a cultura encontrou solo apropriado e foi após 1781 que os brancos ocupantes da região tiveram interesse em investir na plantação. Na época, o litoral era a área de maior produção com 41% da área cultivada e 45% da safra. Se, em 1781, a colheita foi de 1.455 toneladas, em 1816 atingiu 10.800 toneladas de trigo. A maior parte desse trigo ia para o Rio de Janeiro. Há, inclusive, um registro de exportação do tri...

Povoamento Inicial do Rio Grande do Sul: a Colonização Açoriana

Antes, um parêntese sobre o processo de apropriação de terras       As terras eram concedidas por meio de sesmarias e datas, que eram porções do território entregues pela Coroa aos súditos com a obrigação de povoar e cultivar a terra. Esse sistema, já vigente em Portugal desde 1375, foi estendido às colônias ultramarinas visando garantir o povoamento do território e a delimitação das fronteiras. Foi a partir de 1750 que ocorreu uma certa intensificação das concessões. Aqui no Continente de São Pedro (Rio Grande do Sul colonial) o povoamento geral intensificou-se após 1764. Foi nesse ano que o Cel. José Custódio de Sá e Faria assumiu o governo do Continente com árduas tarefas: estabelecer os açorianos, cumprir a entrega das concessões prometidas, controlar os índios, eliminar a escravidão indígena, capacitar as defesas (construção de fortins no rio Taquari) e fomentar a agricultura (incentivo ao cultivo de trigo e de linho-cânhamo). Devido à invasão espanhola à...

O Povoamento Inicial do Rio Grande do Sul: Rio Grande

   Antes de uma cidade ser fundada, na origem estabelece-se um núcleo inicial de povoamento que evolui para a formação de uma vila e, posteriormente, um ato oficial eleva a vila ou freguesia à categoria de cidade. Mas nem todos os núcleos iniciais de povoamento se tornam vilas e, igualmente, nem todas as vilas se tornam cidades.       A vila de Rio Grande estava estrategicamente localizada no canal de entrada da Lagoa dos Patos, cujo controle dava acesso ao interior do Continente - o que facilitava a questão comercial da vila. Além disso, sua localização era estratégica na rota Sacramento-Laguna. Ou seja, era imperioso estabelecer ali um núcleo de povoamento para exercer o domínio territorial. O empreendimento inicial foi realizado, em grande parte, por particulares. Portugal, oficialmente, envia o Brigadeiro Silva Paes para criar uma colônia de povoamento em 1737. Na cidade, Portugal autorizou a construção de uma fortaleza militar....

O Povoamento Inicial do Rio Grande do Sul: Os Campos de Viamão

    Viamão, hoje parte da Grande Porto Alegre, era uma zona de passagem entre laguna e a Colônia de Sacramento até meados do século XVIII. A maioria dos seus primeiros povoadores, inicialmente, só preencheu os campos com animais mas, dada a riqueza ecológica do local, alguns colonizadores já começavam a se fixar por ali, como ocorrera com Cosme da Silveira (1725) e Francisco Carvalho da Cunha (1741). Esse último foi o responsável por erguer a Capela de Nossa Senhora da Conceição.       Com o início do povoamento, Viamão foi elevada à categoria de freguesia em 1747, desmembrando-se de Laguna. Aliás, boa parte dos moradores de Laguna acabaram se transferindo para os campos sulinos. Viamão foi sede das primeiras estâncias de criação de gado. Pelo local, ainda, transitavam grandes rebanhos de gado e de cavalos vindos da campanha do Rio da Prata para serem comercializados em Laguna. Com o crescimento da exploração da região das Minas Gerais, aumentou a nece...

História do Rio Grande do Sul - Os Sete Povos das Missões

     Instrumento importante da Igreja na Contra-Reforma, a Companhia de Jesus foi criada por Inácio de Loyola, em 1534 (oficializada pelo Papa Paulo III em 1540), com o objetivo de "recatolizar" as regiões convertidas ao protestantismo. Sua atuação na América foi marcante, mas estiveram, também, na Índia, China e Japão durante essa época. Na América Portuguesa, a atuação dos jesuítas iniciou-se em 1549 em Salvador - na América Espanhola iniciou em 1610.      Nem sempre os jesuítas eram eficazes em sua conversão dos nativos. Após uma conversão inicial, marcada pelo batismo, muitos guaranis retornavam às suas práticas indígenas não sendo fieis às práticas e costumes cristãos. As reduções, no entanto, serviram à Coroa portuguesa, pois o "adestramento" dos nativos facilitava o acesso de mão-de-obra barata e abundante aos paulistas que tinham grande dificuldade de fazer cativos indígenas. Como eram hábeis agricultores, os tupi-guaranis eram "de grande valo...

História do Rio Grande do Sul - Fronteiras em movimento

     Quem curte estudar com a ajuda de mapas - um método muito bom! - já deve ter catado mapas do Rio Grande do Sul nos séculos XVII, XVIII... Bem, vamos recordar que ainda não existia o Rio Grande do Sul propriamente dito. Se formos um pouco mais longe, nessa época nem mesmo Estados nacionais ainda eram unificados e territorialmente definidos. A Itália, por exemplo, só virou a Itália que conhecemos em 1870. E a Alemanha, em 1871. A unificação territorial visa garantir a existência jurídica de um Estado que, a partir daí passa a ser gerido econômica, social e politicamente de modo autônomo ao de seus vizinhos e integrado dentro de suas fronteiras. Todavia, isso não se aplica para o Rio Grande do Sul no período colonial brasileiro. O mais correto seria pensarmos o espaço fronteiriço como uma fronteira em movimento , com intensa circulação de homens e de mercadorias, em um contexto demográfico bastante heterogêneo e numa conjuntura de instabilidade política.   ...

A Carta de Pero Vaz de Caminha e a Catequese dos indígenas no ENEM 2013

      O ENEM 2013 trouxe uma questão de pura interpretação de texto na última prova de Ciências Humanas. Não era necessário qualquer conhecimento de História para respondê-la, mas vamos comentar um pouco o que a questão aborda. Eis a questão:      Bem, para quem ainda não conhece, a carta de Pero Vaz de Caminha  foi uma das primeiras a informar ao rei de Portugal sobre as terras recém "encontradas" do outro lado do Atlântico. Ela traz a primeira impressão do escrivão sobre as terras que pisou. Por ser uma primeira impressão, ela traz um equívoco: havia, sim, ouro nas terras "encontradas" e adentrando mais um pouco era possível encontrar prata.      A última frase da citação dá a resposta da questão: " Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. " Ou seja, a resposta da questão é a letra A : valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos. As demais alternativas não são citad...

Atlas Digital da América lusa

Vale a pena dar uma olhada em um site bem interessante que traz mapas dinâmicos, gráficos, tabelas e um material didático para entender sobre o Brasil Colonial (e alguma coisa sobre Império, também). Acessar o site é uma forma de rever os conteúdos para a prova e ainda aprender mais alguns conteúdos que não tenham sido abordados em aula. http://atlas.cliomatica.com

Política externa do período joanino

Enquanto Dom João VI esteve no Brasil (1808-1821), digamos que ele não tinha muitas condições de entrar em conflitos, pois sua situação não era das mais confortáveis. Administrando seu país de uma colônia para não ser diretamente atacado por Napoleão Bonaparte, D. João foi discreto em seus ataques externos. OCUPAÇÃO DA GUIANA FRANCESA Reflexo da disputa europeia entre Portugal e França, tropas brasileiras ocuparam a Guiana Francesa em 1809 e mantiveram-se nas terras até 1817, alguns anos após a queda de Napoleão. A ocupação foi uma indicação clara de que o conflito que ocorria na Europa não podia ser enfrentado diretamente por D. João, que optou por "lutar" aqui pela América mesmo. BANDA ORIENTAL O atual Uruguai foi palco de disputas por parte do governo brasileiro durante o Império. Em 1815, mesmo conforntando interesses ingleses na região, D. João ordena a ocupação militar da Banda Oriental que acabou sendo anexada pelo Brasil em 1821, quando as terras passaram a ser c...

Insurreição Pernambucana de 1817

* Não confundir com a Insurreição Pernambucana que expulsou os holandeses no século XVII. Elas sempre aparecem com alguma referência à data na prova para que seja feita a devida diferenciação. Quando a economia da cana-de-açúcar estava no auge, Pernambuco era o grande centro colonial. Em 1817, dentro do período joanino (quando a Corte Portuguesa estava no Brasil, que era considerado Reindo Unido à Portugal e Algarves), a cana-de açúcar rendia lucros pífios se comparado com a mineração do centro do país. Com isso, a região de Pernambuco estava abandonada e sofria com a estagnação. Assim, a penetração de ideias iluministas, liberais e republicanas acabaram influenciando senhores de terra, padres (por isso, a insurreição também pode ser chamada de "Revolta dos Padres"), militares e comerciantes de Recife. Influenciados por tais ideais, os revoltosos se sublevaram e depuseram o governador de Pernambuco tomando o poder com um governo provisório republicano. O governo durou pou...

Período Pombalino (1750-1777)

No auge da crise do sistema colonial, quando a metrópole portuguesa já viam-se esgotando as possibilidades de colonizar eternamente a colônia brasileira, Portugal foi governada pelo Marquês de Pombal, que conseguiu tirar o país do buraco financeiro que vivia e trouxe mais um fôlego para o sistema colonial em decadência. Marquês de Pombal era Primeiro-Ministro do rei de Portugal, Dom José I e tinha plenos poderes para governar. Entre suas medidas: incentivo aos setores agrícolas; criação das Companhias de Comércio; incentivo à criação de "indústrias" coloniais - até serem proibidas por alvará real de 1785 por concorrer com os produtos portugueses; fortalecimento do Absolutismo do rei D. José I; diminuição do poder da Igreja, subordinando o Tribunal do Santo Ofício ao Estado e expulsando os jesuítas das colônias e da metrópole, em 1759, quando confiscou seus bens; redução do déficit da balança comercial portuguesa com a Inglaterra; 1756-1760 (início do período pombalino): - ...

Economia colonial

PAU-BRASIL Século : XVI Mercado: externo Área de produção: litoral do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro Mão-de-obra predominante: indígena Sociedade: não chegou a gerar uma sociedade de classes Outras características: sistema de escambo (trocas), utilização de feitorias, arrendamento do lucro a particulares. CANA-DE-AÇÚCAR Século: XVI e XVII Mercado: externo Área de produção: litoral do Nordeste (Pernambuco e Bahia) Mão-de-obra predominante: escravos africanos Sociedade: rural, aristocrata, sem mobilidade social, patriarcal, estratificada e litorânea . Outras características: Propriedade: latifúndio / Produção: monocultura / Circulação: Produção – Brasil; Transporte – Portugal; Comércio – Holanda. FUMO Século: XVII Mercado: externo Área de produção: Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas Mão-de-obra predominante: escravos africanos Sociedade: rural, aristocrata, sem mobilidade social, patriarcal e estratificada. Outras características: usado como moeda de troca no tráfico negreiro. P...

Os Movimentos Nativistas

Em meados do século XVII, surgiram diversos movimentos regionais de oposição ao domínio luso em terras brasileiras. A insatisfação com a administração da Coroa portuguesa foi manifesta na busca por reformas, contestando do colonialismo - foram os primeiros conflitos de interesse entre os senhores do Brasil e de Portugal, entre a elite nativa e a elite da metrópole. Mas, atenção, esses conflitos não apresentavam projetos de separação política (independência) de Portugal. REVOLTA DE AMADOR BUENO São Paulo, 1641 Amador Bueno da Ribeira era um do homens mais ricos de São Paulo. Político e comerciante, ele entrou em conflito com os jesuítas por causa da proibição dos padres da Companhia de Jesus quanto ao apresamento de índios. Assim, em 1641, a capitania foi palco de revoltas de colonos contra os jesuítas. REVOLTA DOS BECKMAN Maranhão, 1684 A Companhia do Comércio de Maranhão exercia o monopólio comercial na região e esse favorecimento acabou levando os proprietários rurais à rebeli...