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Mostrando postagens com o rótulo Argentina

Guerra contra Oribe e Rosas (1851-52)

      Para quem vem acompanhando nossa série de postagens sobre a História do Rio Grande do Sul já deve ter ficado claro que a região do Prata é inseparável da formação do estado no quesito político, cultural, econômico, linguístico... Enfim, poderia dizer que são histórias concatenadas. Não se pode estudar uma sem analisar a outra. Durante o Império, a barganha de poder e a disputa de terras na região da Bacia do Prata tornaram-se vetores da política externa brasileira do século XIX. Aliás, a política externa brasileira sempre manifestou duas faces, com maior ou menor intensidade: a de dependência e a hegemônica. A face de dependência é óbvia: o Brasil imperial estava diretamente atrelado à Inglaterra. A face hegemônica dessa política externa é mais camuflada, mas perceptível: a preocupação com os acontecimentos políticos da Bacia do Prata indica a preocupação do Brasil Imperial em ter um papel hegemônico na América do Sul - algo que ocorre até hoje. A grande preoc...

Guerra dos Farrapos (1835-1845)

     Essa postagem não vai falar de batalhas nem exaltar feitos de combate ou "heróis". Falarei sobre o contexto político, econômico e social do período e sobre motivos que levaram os sul-riograndenses à revolta contra o Império e das causas da rendição.      O Império brasileiro passava por uma forte turbulência política. A centralização política proposta pelo imperador batia de frente com o sistema federativo de governo. A Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, previa a nomeação dos presidentes das províncias - item que desagradou bastante as elites sul-riograndenses. O imperador abdicou, em 1831, mas a situação não melhorou tanto embora algumas medidas do "Avanço Liberal" da Regência vinham de encontro dos interesses das elites locais: criação da Guarda Nacional (1831), braço armado das elites locais; aprovação do Código de Processo Criminal (1832) que criava o cargo de Juiz de Paz eleito localmente; Ato Adicional (1834) criava ...

A Ditadura Argentina (1976-1983)

      Na madrugada de 24 de março de 1976, uma junta militar (formada pelo General Jorge Rafael Videla, o Almirante Emilio Massera e o Brigadeiro Orlando Agostí) derrubou o governo de María Estela Martínez, a Isabelita Perón - viúva e sucessora de Juán Domingos Perón, falecido enquanto estava no poder. O golpe de Estado foi tratado como necessário e inevitável, assim como já ocorrera em diversos países latino-americanos anos antes. As justificativas para o golpe eram a de reverter o fracasso econômico do governo anterior e a necessidade de uma guerra contra o terrorismo (sempre colocado como algo vago, que possa ser explorado por um longo período mantendo, assim, a ditadura no poder).      Para conter o "desgoverno", a inflação e a influência socialista e comunista na América Latina, a Junta Militar instituiu uma ditadura militar pautada na violação dos Direitos Humanos e na entrega econômica do país. Logo que assumiu o poder, Jorge Rafae...

Peronismo - o vai e vem no poder (parte 2)

           Relembrando nossa última postagem, depois de dois governos, Perón foi deposto pelos militares e com o apoio de diversos setores da sociedade argentina. Foi o fim de Perón na política? Não! Perón é argentino e não desiste nunca! Perón foi duramente criticado por parte da sociedade, mas continuava sendo admirado (e muito) pela outra parte. Então, ainda tem muito vai e vem por aqui... Perón no exílio. E a Argentina?      Após o golpe de 1955, Perón retirou-se para o Paraguai e, de lá, partiu para o exílio em Madrid mas manteve sua influência política na Argentina. No exílio, casou com Maria Estela Martinez (Isabelita) em 1961.      E como ficou a Argentina nos 18 anos em que Perón esteve fora do país?       No golpe de 1955, a opinião dos apoiadores do golpe (e mesmo das Forças Armadas) estava dividida entre iniciar uma ditadura ou restaurar a democracia. Enquanto uma decisão não...

Peronismo - o vai e vem no poder (parte 1)

     Sim, vamos direto ao ponto pois o Perón já chegou! Depois da última postagem com o contexto histórico e as comparações com outros modelos políticos da América Latina e da Europa, vamos aos governos de Perón: Primeiro Governo Peronista ( 1946-51)        Vitorioso nas eleições, Perón assumiu o poder em  1946 pelo Partido Laborista, um partido criado às pressas para viabilizar sua candidatura à presidência. Extremamente popular, graças à sua atuação na Secretaria do Trabalho, Perón venceu seus adversários de  partidos ideologicamente configurados e de longa tradição histórica. Após assumir,  dissolveu o Partido Laborista e criou o partido  Peronista (oficialmente constituído em 1948).      Na base de sustentação de seu governo estavam a classe operária, parte das camadas médias e dos "sem bandeira" (principalmente  ex- comunistas, ex-anarquistas e ex-sindicalistas). Perón aproximou-se dos diri...