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Mostrando postagens com o rótulo América Latina

1964-2014: 50 anos do Golpe, 50 anos de Impunidade

     Com prazer, convido para mais um evento no qual tive a honra não só de participar do painel de encerramento como de estar ao lado de Jan Rocha, jornalista engajada pelas causas dos direitos humanos durante as ditaduras latino-americanas. Abaixo, segue a divulgação do evento: 1964-2014: 50 ANOS DO GOLPE, 50 ANOS DE IMPUNIDADE (2ª edição)      Seguindo as atividades que começamos em março  de 2014, convidamos todos a participar do Seminário  “1964-2014: 50 anos do Golpe de 1964, 50 anos de  impunidade”, durante os dias 12, 13 e 14 de Novembro,  no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do  Sul (APERS – Rua Riachuelo, 1031). Serão realizadas  diferentes mesas temáticas. VAGAS LiMitADAS! A inscrição tem o valor de R$15,00. Emitiremos  Certificados*, que serão entregues no último dia do  evento (14/11). As vagas serão garantidas mediante o envio do comprovante de depósito ou de transferência...

Guerra contra Oribe e Rosas (1851-52)

      Para quem vem acompanhando nossa série de postagens sobre a História do Rio Grande do Sul já deve ter ficado claro que a região do Prata é inseparável da formação do estado no quesito político, cultural, econômico, linguístico... Enfim, poderia dizer que são histórias concatenadas. Não se pode estudar uma sem analisar a outra. Durante o Império, a barganha de poder e a disputa de terras na região da Bacia do Prata tornaram-se vetores da política externa brasileira do século XIX. Aliás, a política externa brasileira sempre manifestou duas faces, com maior ou menor intensidade: a de dependência e a hegemônica. A face de dependência é óbvia: o Brasil imperial estava diretamente atrelado à Inglaterra. A face hegemônica dessa política externa é mais camuflada, mas perceptível: a preocupação com os acontecimentos políticos da Bacia do Prata indica a preocupação do Brasil Imperial em ter um papel hegemônico na América do Sul - algo que ocorre até hoje. A grande preoc...

Guerra dos Farrapos (1835-1845)

     Essa postagem não vai falar de batalhas nem exaltar feitos de combate ou "heróis". Falarei sobre o contexto político, econômico e social do período e sobre motivos que levaram os sul-riograndenses à revolta contra o Império e das causas da rendição.      O Império brasileiro passava por uma forte turbulência política. A centralização política proposta pelo imperador batia de frente com o sistema federativo de governo. A Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, previa a nomeação dos presidentes das províncias - item que desagradou bastante as elites sul-riograndenses. O imperador abdicou, em 1831, mas a situação não melhorou tanto embora algumas medidas do "Avanço Liberal" da Regência vinham de encontro dos interesses das elites locais: criação da Guarda Nacional (1831), braço armado das elites locais; aprovação do Código de Processo Criminal (1832) que criava o cargo de Juiz de Paz eleito localmente; Ato Adicional (1834) criava ...

Guerra da Cisplatina

     Quem tem acompanhado a série de postagens sobre a história do Rio Grande do Sul já deve ter notado que é impossível entendê-la dissociada do contexto da Bacia do Prata. É inegável a ligação da região - que hoje equivalem ao Uruguai e a Argentina - à formação histórica do RS. O próprio personagem do gaúcho tradicionalista é um misto de argentino, uruguaio, índio, negro, português e espanhol - não necessariamente nessa ordem. Ou seja, o gaúcho é fruto de toda essa "mistura" cultural, social, étnica e política.      A situação já tumultuada da região ficou mais intensa após a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a família real no Brasil, a metrópole interiorizou-se na colônia, promovendo maior centralização do poder decisório e acentuou-se a atração exercida pela região da Cisplatina. Antes de mais nada, vamos comparar o território do Brasil de 1709 com o Brasil de 1821, nos mapas abaixo: 1709 ...

Manifestações na Venezuela e o governo de Maduro

           Interrompemos nossa programação normal para um esclarecimento em meio a tantas baboseiras, quer dizer, equívocos que tem sido espalhados pelas redes sociais na velocidade da luz. Após esse breve esclarecimento, siga com nossa programação normal e a postagem sobre a ditadura argentina. Aviso aos navegantes!      Como dizia Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista): "Uma mentira dita mil vezes, torna-se uma verdade." De fato, se reproduz tanta besteira nas redes sociais, sem qualquer verificação de fontes, aprofundamento teórico ou conhecimento de causa. O único objetivo é cooptar adeptos para um pensamento, em geral, fundamentalista. É o caso das recentes manifestações na Venezuela no qual postagens na Internet reproduzem fotos indicando que o país passa pela pior ditadura dos últimos anos a nível planetário. Menos, bem menos! É esse tipo que cai nos maiores pega-ratões do Vestibular e ENEM pois a banca ...

O Chile e a ditadura de Pinochet

     Completando as postagens sobre os 40 anos do golpe de Estado no Chile e dando sequência ao tema da palestra do ciclo de História no Cinema para Vestibulandos, vamos estudar um pouco a ditadura chilena. Para isso, vamos retroceder um pouco para entender o contexto que conduziu o país a uma ditadura...      O Chile é um país com sólida tradição de combatividade e organização do operariado. Lá, em 1912 surgiu o Partido Operário Socialista com ampla adesão dos trabalhadores e, em 1933, o operariado e setores médios da população davam origem ao Partido Socialista. Jorge Alessandri        O governo de Jorge Alessandri (1958-1964), do Partido da República, serviu aos interesses imperialistas e da grande burguesia industrial levando a intensas mobilizações populares, sempre reprimidas com medidas de extrema violência (inclusive massacres). Eduardo Frei       Em 1964, Eduardo Frei era eleito presi...

A Doutrina de Segurança Nacional e as ditaduras latinoamericanas

     Conforme prometi na palestra do último sábado, postarei nos próximos dias temas relacionados às DITADURAS CIVIL-MILITARES DA AMÉRICA LATINA visando complementar a palestra e trazer um material de apoio na hora de se preparar para o Vestibular.      Para isso, começo falando da Doutrina de Segurança Nacional, conceito utilizado pela UFRGS e essencial para entender a temática das ditaduras.      Antes de mais nada, é preciso lembrar que é impossível separar a ocorrência das ditaduras na América Latina do contexto político mundial. Ao final da década de 1940, com o fim da 2ª Guerra Mundial, houve a polarização do mundo entre capitalismo e socialismo.       A "divisão" do mundo entre as duas grandes potências da época levaram os EUA, defensores dos "valores ocidentais", a adotar medidas de segurança visando conter qualquer possível avanço do inimigo - o que eles consideravam o "perigo vermelho". Esse avanço...