Pular para o conteúdo principal

Questões políticas do período Regencial



Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, a política brasileira passou por um período de reorganização. O "vazio de poder" até o momento em que D. Pedro II tivesse idade para assumir o trono foi preenchido por diversos regentes num dos períodos mais turbulentos da história brasileira.








REGÊNCIA TRINA PROVISÓRIA (abril-junho/1831)

Francisco de Lima e Silva (militar)
José Joaquim Carneiro Campos (caramuru/restauradores)
Nicolau de Campos Vergueiro (liberal moderado)

A divisão política da Regência Provisória já indicou uma exclusão dos liberais exaltados que será constante a partir desse momento. A política acabou concentrando-se nas mãos dos moderados.Nesse primeiro momento foi concedida anistia política a todos os presos políticos e foi suspenso parcialmente o poder Moderador (em voga desde a Constituição de 1824) impedindo a dissolução da Câmara dos Deputados.

REGÊNCIA TRINA PERMANENTE (1831-1835)

José da Costa Carvalho (deputado liberal moderado do norte)
João Bráulio Muniz (deputado liberal moderado do sul)
Francisco de Lima e Silva (militar)

Notem a predominância de liberais moderados no poder. E, vale ressaltar, todos pertencentes à aristocracia agrária - reflexo de um país com grandes latifúndios.
Os liberais exaltados, excluídos do poder, reivindicam a exoneração de todos os funcionários públicos portugueses, do Ministro da Justiça (Pe. Diogo Feijó, conhecido por sua administração autoritária) e a reunião de uma Assembleia Constituinte. Para sufocar a revolta, o Pe. Diogo Feijó cria o "Batalhão Sagrado" que tornou-se responsável por suficar o levante, e conseguiu. Esse "Batalhão" deu origem à GUARDA NACIONAL, um forte instrumento repressivo nas mãos da aristocracia rural. Na Guarda Nacional, os oficiais eram eleitos em cada província - reforçando o poder de representação local - e eram subordinados aos Juízes de Paz (também eleitos após 1832).

ATO ADICIONAL DE 1834

Hoje é comum o uso de emendas constitucionais - tanto que a Constituição de 1988 já foi revista e atualizada diversas vezes dada a grade quantidade de emendas - mas, no Império o uso de tais emendas era mais cautelosa.
Todavia, visando conciliar moderados e exaltados, foi criada a emenda a Constituição de 1824 que garantia maior descentralização política, o que ajudou a evitar atitudes arbitrárias da parte do imperador:
- extinguia o Conselho de Estado que prestava assessoria ao imperador;
- transformava os Conselhos Provinciais em Assembleias Legislativas Provinciais;
- criava o Município Neutro (sede do governo - no caso, Rio de Janeiro);
- instituía a Regência Una, escolhido em eleições gerais para um mandato de quatro anos.

REGÊNCIA UNA DE DIOGO FEIJÓ (1835-1837)

Nesse período houve uma divisão interna dos moderados entre REGRESSISTAS (defendendo mais centralização e a volta do Poder Moderador) e os PROGRESSISTAS (aliados de Feijó, que defendiam a descentralização política). Os dois grupos acabam sendo o germe dos dois partidos do Segundo Reinado: o Partido Conservador (regressista) e o Partido Liberal (progressista).
Com falta de apoio parlamentar e revoltas populares eclodindo de todos os lados, o Pe. Diogo Feijó renunciou em 1837.

REGÊNCIA UNA DE ARAÚJO LIMA (1837-1840)

Regressista e com apoio do Parlamento, Araújo Lima foi o último regente e implantou uma série de reformas que tomaram a forma de um regresso conservador:
* LEI DE INTERPRETAÇÃO DO ATO ADICIONAL - visando recuperar o Poder Central, cuidou da nomeação da Guarda Nacional e dos Magistrados e da subordinação do poder local ao poder central.
* REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CRIMINAL - envaziava o poder do Juiz de Paz e passava suas atribuições para o Juiz Municipal, nomeado pelo Poder Central.

A QUESTÃO DA MAIORIDADE

Seria conflituosa a definição de um novo regente por causa do atrito entre conservadores e liberais que se arrastou durante todo o Império e em virtude de diversas reivindicações das oligarquias regionais. Além disso, passou a surgir uma nova força política nos corredores do Palácio do Governo: os "palacianos". O grupo que se apresentava como neutro, mas conservador na prática, era vinculado diretamente à Corte e seu líder Aureliano Pinto.
Esse novo grupo político acabou atraindo a adesão dos liberais e fundando o "Clube da Maioridade" que, isolando os conservadores, conseguiu dar o golpe (em 1840) e garantir que D. Pedro II assumisse o trono como poder neutro, deixando as disputas entre liberais e conservadores restritas ao Parlamento.
Ao lado, documento declarando a maioridade do novo Imperador.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Povoamento Inicial do Rio Grande do Sul: a Colonização Açoriana

Antes, um parêntese sobre o processo de apropriação de terras       As terras eram concedidas por meio de sesmarias e datas, que eram porções do território entregues pela Coroa aos súditos com a obrigação de povoar e cultivar a terra. Esse sistema, já vigente em Portugal desde 1375, foi estendido às colônias ultramarinas visando garantir o povoamento do território e a delimitação das fronteiras. Foi a partir de 1750 que ocorreu uma certa intensificação das concessões. Aqui no Continente de São Pedro (Rio Grande do Sul colonial) o povoamento geral intensificou-se após 1764. Foi nesse ano que o Cel. José Custódio de Sá e Faria assumiu o governo do Continente com árduas tarefas: estabelecer os açorianos, cumprir a entrega das concessões prometidas, controlar os índios, eliminar a escravidão indígena, capacitar as defesas (construção de fortins no rio Taquari) e fomentar a agricultura (incentivo ao cultivo de trigo e de linho-cânhamo). Devido à invasão espanhola à...

Guerra da Cisplatina

     Quem tem acompanhado a série de postagens sobre a história do Rio Grande do Sul já deve ter notado que é impossível entendê-la dissociada do contexto da Bacia do Prata. É inegável a ligação da região - que hoje equivalem ao Uruguai e a Argentina - à formação histórica do RS. O próprio personagem do gaúcho tradicionalista é um misto de argentino, uruguaio, índio, negro, português e espanhol - não necessariamente nessa ordem. Ou seja, o gaúcho é fruto de toda essa "mistura" cultural, social, étnica e política.      A situação já tumultuada da região ficou mais intensa após a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a família real no Brasil, a metrópole interiorizou-se na colônia, promovendo maior centralização do poder decisório e acentuou-se a atração exercida pela região da Cisplatina. Antes de mais nada, vamos comparar o território do Brasil de 1709 com o Brasil de 1821, nos mapas abaixo: 1709 ...

História do Rio Grande do Sul - Os Sete Povos das Missões

     Instrumento importante da Igreja na Contra-Reforma, a Companhia de Jesus foi criada por Inácio de Loyola, em 1534 (oficializada pelo Papa Paulo III em 1540), com o objetivo de "recatolizar" as regiões convertidas ao protestantismo. Sua atuação na América foi marcante, mas estiveram, também, na Índia, China e Japão durante essa época. Na América Portuguesa, a atuação dos jesuítas iniciou-se em 1549 em Salvador - na América Espanhola iniciou em 1610.      Nem sempre os jesuítas eram eficazes em sua conversão dos nativos. Após uma conversão inicial, marcada pelo batismo, muitos guaranis retornavam às suas práticas indígenas não sendo fieis às práticas e costumes cristãos. As reduções, no entanto, serviram à Coroa portuguesa, pois o "adestramento" dos nativos facilitava o acesso de mão-de-obra barata e abundante aos paulistas que tinham grande dificuldade de fazer cativos indígenas. Como eram hábeis agricultores, os tupi-guaranis eram "de grande valo...